A importância da diversidade racial nos dias de hoje

Isabella Schmitt
16 de junho de 2020

9 de junho de 2020. Vivemos em pleno século XXI, em um momento de completa angústia e incerteza causada pela pandemia do coronavírus, mas mais do que isso, estamos presenciando um colapso no mundo em prol da igualdade racial, afinal toda vida importa.

Muito mais do que se posicionar diante do que está acontecendo, é importante entender e compartilhar o quanto todos esses movimentos, que não são de agora, são importantes para realçar uma realidade e uma sociedade que, em grande maioria, insiste em dizer que é “mimimi”.

Diferença racial, existe e precisa ser quebrada, tanto no ambiente profissional, acadêmico e social. A nossa cor não deveria — e não deve — servir de indicativo determinativo se somos ou não capazes de estar em um determinado ambiente, cargo ou curso. E é justamente por inúmeros fatores, assim como os citados, que precisamos e vamos falar sobre o quanto a diversidade é importante e o quanto precisamos mudar isso logo.


Alguns dados para se refletir…

Para entender mais o sobre é preciso entender a dimensão do que estamos abordando. Afinal, a nossa cor não nos qualifica para atuar em determinados cargos e nem deve ser uma razão para ganharmos mais ou menos.

Hoje mais da metade da população se declara preta ou parda, para ser mais exato, o número desse percentual é de 56,10%, segundo o IBGE em 2019. E mesmo sendo mais da metade da população eles ainda são minoria quando se refere a liderança no mercado de trabalho, entre representantes políticos e também são uma parte mínima na magistratura brasileira. Isso só acentua o quanto a representatividade não ocorre de modo igual.

Para contextualizar ainda mais, vamos trazer alguns dados divulgados pelo IBGE em 2019, com base em dados coletados até 2018, você pode conferir o documento na íntegra: desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil. Para se ter ideia, em 2018 cerca de 54,9% da força trabalhadora do país era composta por negros, mas estes acabam se encontrando em cargos e funções que pagam menos. Isso sem levar em conta o índice de trabalhadores informais, subocupados ou desempregados, onde o número é ainda mais alarmante.

A diferença salarial é outra realidade dura e alarmante, a desigualdade entre a renda média de pessoas brancas ocupadas e a renda média de pessoas pretas e pardas chega a 73,9%. Mesmo que possuam os mesmos níveis de formação, o índice se mantém alto e desproporcional, apenas por conta da cor da pele. Isso apenas reflete o quanto o racismo estrutural ainda permeia a sociedade em todos os seus aspectos e âmbitos.

Atitudes que fazem a diferença…

Muito mais do que apenas contratar mais pessoas negras para compor os quadros das empresas, é necessário avaliar o quanto esse ambiente está preparado para isso.

É fundamental que se entenda que a inclusão racial vai além do ato da contratação de pessoas negras para as mais diversas funções e cargos. Além desse primeiro passo, é importante que a equipe como um todo, acolha, respeite e integre o funcionário ao ambiente. Respeitando-o como indivíduo e proporcionado as mesmas oportunidades á todos.

E esse exemplo deve partir dos gestores, diretores e afins, para que demonstrem que qualquer atitude que desrespeite ou fira a integridade de algum membro, seja por discriminação racial, sexual ou de gênero, não será aceita. Só assim, o ambiente poderá ser favorável e estimulante para que todos se sintam confortáveis para expressar suas ideias e que agregam positivamente à empresa.

Cada vez mais, buscamos lugares onde possamos ter um propósito maior para trabalhar, que além de estimular novas ideias, seja representativo, acolhedor, respeitoso com todos e vá além do salário. Quanto mais as empresas estimulam e colocam em prática a diversidade nos seus quadros de funcionários e estes vestem a camisa e apoiam isso, só faz com que o engajamento e a cultura da empresa reflita de forma única e atraia ainda mais atenção e admiração de todos.

Você, como membro e funcionário deve levantar essa discussão dentro do seu ambiente profissional. Questionar-se a respeito dos valores da organização também é uma forma de garantir a diversidade:

  • O que a gente tem como valores?
  • O que a gente tem como cultura?
  • Como podemos mudá-los caso não sejam justas e éticas com isso?

São questionamentos válidos para se levar para debates, reuniões ou conversas com seus colegas de trabalho. Ficar quieto, esperando que outros tomem essa atitude, simplesmente não vai fazer com que as coisas mudem e o racismo acabe.

5 dicas da ONU para sua empresa:

A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu 5 padrões de conduta para as empresas que queiram promover a diversidade e valorizar os direitos humanos dentro dos seus ambientes e equipes, são eles:

  1. Em todas as ocasiões, respeitar os direitos humanos. Para isso, as empresas devem desenvolver políticas internas, criar mecanismos para monitorar e para reportar possíveis violações de direitos humanos, além de remediar impactos adversos de suas ações;
  2. No local de trabalho, eliminar a discriminação. E isso significa que as empresas devem garantir que não haja discriminação em seu processo de recrutamento, na contratação dos funcionários, nas condições de trabalho e benefícios oferecidos, entre outros;
  3. No local de trabalho, apoiar. As empresas devem promover um ambiente de trabalho positivo e afirmativo para que todos (as) possam trabalhar com dignidade e sem estigmas;
  4. No mercado, prevenir as violações de direitos humanos. Para tanto, as empresas devem pensar na diversidade também no trato aos clientes, fornecedores e demais parceiros (as) comerciais.
  5. Na comunidade, agir na esfera pública. Contribuir para impedir abusos de direitos humanos nos países em que operam. Esta também é uma forma de contribuir com a diversidade nas organizações. Uma boa ideia é sempre promover, junto à equipe de Responsabilidade Social, ações contra diversos tipos de discriminações e atuar com a comunidade em que a empresa está inserida.

Os movimentos que ocupam as ruas do mundo…

É impossível não citar todos os movimentos que vem tomando as ruas do mundo, movimentos pacíficos que pedem por justiça, igualdade e fim de algo que nunca deveria ter existido. O racismo precisa acabar.

O movimento Black Lives Matter existe desde 2013, criado por três ativistas norte-americanas: Alicia Garza, da aliança nacional de trabalhadoras domésticas; Patrisse Cullors, da coalizão contra a violência policial em Los Angeles; e Opal Tometi, da aliança negra pela imigração justa. E retomou com força após a morte de George Floyd. Floyd foi asfixiado por um policial branco, que mesmo ouvindo os pedidos de Floyd para parar, continuou ajoelhado no seu pescoço até a morte. A partir de então o mundo está junto e gritando “Vidas negras importam”.

A morte de Floyd foi apenas mais uma entre tantas outras, no Brasil, por exemplo, segundo dados do Atlas da violência, 75,5% das assassinadas em 2017 foram de pretos ou pardos. Um jovem negro tem 2,5 vezes mais chances de ser vítima de um homicídio do que um branco. E quando pegamos os dados por homicídios por intervenção policial, esse número vai para 74,5%.

A grande diferença, é que enquanto lá fora policiais pagam por seus atos, no Brasil a figura muda. O histórico de racismo no nosso país ainda é recente, vivo e permeia a sociedade que insiste em ignorar e pior, se acostumar com índices que se tornam corriqueiros no dia a dia.

É preciso entender, estudar, buscar ouvir quem tem a ensinar sobre para que assim possamos acabar com algo que jamais deveria ter existido na história das sociedades. Exigir do governo o combate e punição para crimes raciais, exigir e eleger a representatividade e dar espaço para as vozes essas vozes, que muito, já foram silenciadas.