Pride Month: Uma causa para pensar e apoiar o ano todo

Isabella Schmitt
26 de junho de 2020

Marcado por muita luta, junho vem sendo um mês de muita reflexão e manifestação a favor da igualdade entre todos. Além dos movimentos da Black Lives Matter, o mês este mês carrega consigo outra importante causa que merece e exige atenção, anualmente o mês de junho é conhecido como o Pride Month ou em português: mês do orgulho LGBTQ+.

Mas por que apenas um mês inteiro para falar, debater e exigir mudanças sobre o orgulho LGBTQ+? Bem, se pensou isso, mais do que nunca, precisa estudar sobre o tema, para que assim, entenda o quanto ainda é necessário levantar esse debate para que cada vez mais a nossa orientação sexual não seja um pressuposto para mortes, ódio ou agressões verbais e físicas. Devemos e temos o direito de ser livres para amar quem quisermos.

A origem do Pride Month…

A origem do Pride Month é bem mais antiga do que imaginamos, assim como a causa. Para se ter ideia, no início da década de 60 nos Estados Unidos era crime ter qualquer relação homoafetiva.

O primeiro estado norte-americano a quebrar esse ciclo foi Illinois, em 1962, quando alterou o seu código penal e a homossexualidade deixou de ser crime. Dez anos após a alteração de Illinois, outros estados também alteraram seus códigos penais. Mas um estado em especial, ainda se manteve relutante quanto a essa alteração. Em Nova Iorque a homossexualidade deixou de ser crime apenas em 2003, e foi lá que surgiu um dos principais movimentos LGBTQ+ que deu origem ao Pride Month.

Em Nova Iorque, a política de repreensão a homossexuais era bem rígida, mas em 1969 isso mudou. Tradicional ponto de encontro para a comunidade LGBT e de outras minorias, o bar Stonewall Inn, apesar de não ser o lugar mais seguro na época, o bar é um dos poucos no qual o público, que normalmente era marginalizado, pelos demais cidadãos, podiam ser eles mesmos sem medo. Mas isso mudou em 28 de junho de 1969, após uma batida policial que resultou com a prisão com violência de alguns frequentadores e funcionários do bar. Vizinhos e frequentadores repudiaram os atos, jogando garrafas, pedras e outros objetos nos policiais. Alguns manifestantes puseram fogo no bar, o que só fez com que a violência policial aumenta-se. O estopim daquela noite, resultou em cinco dias seguidos de manifestações contra a perseguição policial à homossexuais e a favor dos direitos da comunidade gay.

A partir dali, Stonewall Inn se tornou um símbolo da libertação gay e da demonstrações de orgulho da comunidade homossexual. Pouco tempo após as manifestações que iniciaram naquele 28 de junho de 1969, foi fundada a Frente de Libertação Gay nos Estados Unidos, seis meses depois, surgiu a Aliança de Ativistas Gays. Exatamente um ano após a manifestação de Stonewall Inn, milhares de pessoas voltaram ao bar e fizeram a primeira marcha do Dia da Libertação, que alguns anos depois, evoluiu para o mês do Orgulho Gay como conhecemos hoje.

As primeiras manifestações no Brasil…

O primeiro movimento LGBT no Brasil aconteceu em 1955, na cidade do Rio de Janeiro durante a 17º Conferência da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex. No ano seguinte, foi registrado na cidade de São Paulo uma pequena manifestação que reuniu cerca de 500 pessoas na praça Roosevelt. Mas só em 1997 foi realizada a primeira parada Gay no país, na Avenida Paulista em São Paulo, e desde então anualmente o evento é comemorado e reúne milhões de pessoas em prol da liberdade de serem e amar quem quiserem.

Alguns dados para se pensar…

Atualmente vivemos em um país com preconceitos enraizados na sua história e que permeiam em vários âmbitos sociais, indo desde ao racismo a até ataque a pessoas homoafetivas. É importante sempre lembrar e salientar que o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que fala: “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.

Só em 2019, 329 pessoas foram mortas de forma violenta entre janeiro a maio, no mesmo ano foi registrado uma morte por homofobia a cada 23 horas, ambos os dados são da ONG Grupo Gay da Bahia.

Conforme um levantamento do LinkedIn, apenas 25% dos entrevistados revelaram sua orientação sexual dentro do ambiente de trabalho.

Segundo dados levantados pela empresa Santo Caos, em 2019, cerca de 38% das empresas afirmam que não contratariam pessoas LGBTQ+. Já para 61% dos funcionários LGBTQ+ preferem não revelar sua orientação sexual para colegas ou gestores. Dados da Associação Nacional dos Travestis e Transexuais, revela que 90% dessa população vive de prostituição, por não encontrarem oportunidades de trabalho devido ao preconceito, além de, cerca de 99% da população LGBTQ+ afirmam não se sentirem seguras no Brasil.

A importância da representatividade nas empresas…

Uma equipe diversificada, com vivências e personalidades diferentes apenas contribui para um trabalho cada vez mais eficaz e criativo. Mas para isso é fundamental que as empresas tenham políticas de inclusão e exijam o respeito e a inclusão por parte das suas equipes, gestores e afins. Todos precisam estar cientes que a orientação sexual de um colega não lhe diz respeito e não afeta no comprometimento ou realização das atividades.

A cultura organizacional deve ter a inclusão como uma das suas bases, independente se ela é racial ou sexual. Todos merecem a oportunidade de exercer e mostrar suas competência e quando o ambiente e funcionários apoiam isso, a empresa só tem a crescer. Seja financeiramente, por atrair a atenção por ter esse conceito seja em questão de produtividade.

Você, como membro e funcionário deve levantar essa discussão dentro do seu ambiente profissional. Questionar-se a respeito dos valores da organização também é uma forma de garantir a diversidade:

  • O que a gente tem como valores?
  • O que a gente tem como cultura?
  • Como podemos mudá-los caso não sejam justas e éticas com isso?

São questionamentos válidos para se levar para debates, reuniões ou conversas com seus colegas de trabalho. Ser respeitado e incluído é algo fundamental dentro do ambiente profissional, e deve ser considerado como um princípio básico.

5 Dicas da ONU para a sua empresa:

A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu 5 padrões de conduta para as empresas que queiram promover a diversidade e valorizar os direitos humanos dentro dos seus ambientes e equipes, são eles:

  1. Em todas as ocasiões, respeitar os direitos humanos. Para isso, as empresas devem desenvolver políticas internas, criar mecanismos para monitorar e para reportar possíveis violações de direitos humanos, além de remediar impactos adversos de suas ações;
  2. No local de trabalho, eliminar a discriminação. E isso significa que as empresas devem garantir que não haja discriminação em seu processo de recrutamento, na contratação dos funcionários, nas condições de trabalho e benefícios oferecidos, entre outros;
  3. No local de trabalho, apoiar. As empresas devem promover um ambiente de trabalho positivo e afirmativo para que todos (as) possam trabalhar com dignidade e sem estigmas;
  4. No mercado, prevenir as violações de direitos humanos. Para tanto, as empresas devem pensar na diversidade também no trato aos clientes, fornecedores e demais parceiros (as) comerciais.
  5. Na comunidade, agir na esfera pública. Contribuir para impedir abusos de direitos humanos nos países em que operam. Esta também é uma forma de contribuir com a diversidade nas organizações. Uma boa ideia é sempre promover, junto a equipe de Responsabilidade Social, ações contra diversos tipos de discriminações e atuar com a comunidade em que a empresa está inserida.

Representatividade no mercado…

No final do ano passado, foi lançada a primeira carteira de investimentos criada e voltada para o público feminino e LGBTQ+. O Ella’s Investimento foi desenvolvido por Carolina Sandler, Rebeca Nevares, Carolina Barros, Carolina Rosa e Erica Santos. O projeto surge com a partir da identificação da necessidade de trazer representatividade para um público que cresce cada vez mais e que precisa desse direcionamento específico.


Cada vez mais assuntos como igualdade de gênero, diversidade, representatividade e inclusão são debatidos e inseridos em pautas dentro das empresas que buscam crescer e se destacar no mercado. Mostrando através da sua cultura organizacional, que, para crescer e prosperar também é necessário se posicionar e apoiar essas causas que precisam  ser ouvidas, levadas a sério e assim, poderem gerar mudança em uma sociedade que precisa e exige respeito e inclusão de todos.