Venha conhecer o movimento das Startups Zebras

Isabella Schmitt
22 de maio de 2020

O tão sonhado objetivo de fazer parte do raro grupo das Startups Unicórnios pode estar com seu número de adeptos diminuindo. Agora a vez é das startups Zebras, que buscam muito mais do que o grande valor de lucro um equilíbrio entre seu propósito e finanças, o termo que surgiu em 2017 com as Jennifer Brandel, Mara Zepeda, Astrid Scholz e Aniyia Williams, que através de um artigo na plataforma Medium explicaram o porque a busca por ser um unicórnio pode ser sinônimo de fracasso.


Mas afinal, o que são Startups Zebras?

As Startups Zebras essa definição, pois visam o seu propósito em contribuir para a sociedade e o lucro de modo equilibrado. Desse modo, diferente dos unicórnios, as startups Zebras buscam por uma menor dependência do capital externo, conseguindo assim, manter o negócio com uma sustentabilidade financeira mais concreta e real.

Mas por que zebras?

A escolha desse animal para representar esse novo conceito de startup é justamente por serem animais reais, que acabam tendo como característica que precisam do coletivo para se manterem. As Zebras têm como natureza serem animais cooperativos, mutualistas e que prosperam, crescem e sobrevivem através da colaboração de todos. 

Outro motivo para escolha é porquê as zebras apresentam duas cores distintas entre si, que são o branco e o preto. Essas duas cores fazem referência a dois ideais simultâneos que juntos complementam-se: o lucro e o propósito!

O propósito das Zebras…

As Zebras buscam e prezam pela gestão organizada da inovação nos seus processos, para que esses sejam sustentáveis a médio e longo prazo. Criadas e adaptadas para o crescimento sustentável, mas não o realizando a todo custo, além de, trazer mais ética e inclusão para os negócios.

O movimento Zebra Unite surgiu com a premissa de: “As zebras consertam o que os unicórnios quebram”. Criado e liderado em março de 2017 nos Estados Unidos pelas CEO’s das áreas de moda, comunicação e tecnologia Jennifer Brandel, Mara Zepeda, Astrid Scholz e Aniyia Williams.

Outra característica dessa geração de startups Zebras, é que ela surge como uma resposta direta a falta de diversidade de gênero, raça e histórico de vida entre os fundadores de Startups encontrada atualmente neste segmento.

Muito além de um status…

Diferente do feito conquistado pelas Startups unicórnios que recebem o título após a conquista o valor de U$$ 1 Bi, para ser considerada uma Zebra é necessário cumprir requisitos que devem ser a base do negócio, fazer parte do pensamento e cada ação do seu negócio.

Lembrando: Startups unicórnios são…

Aquelas startups que alcançam atingir a marca de US$ 1 Bilhão de dólares em avaliação do mercado, arrecadando essa quantia antes de vender suas ações para o público e se tornar um IPO (Initial Public Offering, ou em português, Oferta Pública Inicial — OPI). Explicamos mais sobre essa geração que busca o feito raro de entrar para o time dos unicórnios na publicação A geração das empresas unicórnios.

As Zebras Unite surgiu justamente para trazer a tona a discussão sobre o modelo de capital de risco atual, além de explicar que para se tornar uma Zebra é necessário além de aplicar diariamente seus preceitos, é importante refletir sobre alguns pontos mais estruturais para ver se realmente se encaixam neste conceito. Por isso definiram 5 perguntas que devem ser usadas para guiar desde a produção dos seus produtos a até companhias mais éticas e humanas.

  • O produto foi desenhado por ou para as pessoas afetadas?
    O designer da solução deve ser um facilitador, e não um especialista. Construa seu produto junto à comunidade que ele atenderá.
  • O produto inova ou conserta?
    As zebras não seguem o mandamento de “mover-se rápido e quebrar coisas”, muito praticado no Vale do Silício. Essas startups firmam processos que garantem parcerias privadas, públicas e com a comunidade. O objetivo é que todas as instituições sejam empoderadas e atuem de forma sustentável.
  • O produto machuca ou cura nós mesmos e o planeta?
    Não construa soluções que resultem em vício ou em destruição de recursos naturais. Os novos modelos de negócio devem ser criados para melhorar a saúde de nossas mentes e do meio ambiente.
  • O produto gera resultados para poucos ou a riqueza é compartilhada?
    Sabemos como poucos investimentos de capital de risco vão para fundadoras de startups do gênero feminino, por exemplo. As próprias empreendedoras da Zebras United passaram por isso. Por isso o movimento busca criar uma prosperidade para que criadores e funcionários possam prosperar e crescer lado a lado, de modo mais igualitário.
  • O produto recompensa acionistas ou participantes do ecossistema?
    A alternativa para modelos que dependem dos investidores é considerar que seus usuários, funcionários e outros participantes no negócio têm uma participação no valor criado pela sua zebra. Pense em estruturas societárias que atendam um interesse mais coletivo. “Quando o retorno aos acionistas supera o bem-estar coletivo, a democracia é ameaçada. O modelo de negócio cria o comportamento. Em escala, esse comportamento pode ter efeitos até mesmo destrutivos”, escreve o Zebras Unite em seu manifesto no Medium.

Zebras pelo mundo..

O movimento que começou de forma isolada nos Estados Unidos, hoje ganha adeptos de outros países, que cada vez mais se identificam com sua premissa. Hoje no Brasil já encontramos empresas que buscam esse alinhamento mais real e humanizado para seus negócios, um exemplo é a Impact Hub Floripa, que é uma empresa de coworking brasileira de Florianópolis que já aderiu ao time das Zebras, além de adorar a ética, inclusão apresenta crescimento anual considerável.

Outro exemplo de Zebra é a Switchboard nos Estados Unidos, que fornece consultoria, plataforma comunitária e desenvolvimento profissional para equipes e instituições que envolvam suas comunidades. Atendendo principalmente faculdades, escolas e organizações sem fins lucrativos, suas fontes de renda vêm desde treinamentos, acessos à plataforma e avaliações.

Essas duas empresas mostram que para ser uma Zebra não impede que o seu negócio cresça, pelo contrário ele fará isso de modo consciente e estável, podendo evitar futuras frustrações financeiras.

Pensar em negócios a partir deste novo formato, mais consciente, só trará vantagem para o seu negócio, o modo como a população está consumindo e se relacionando com as marcas e empresas exige essa adaptação e reavaliação do que de fato importa: apenas crescer de forma exponencial ou gerar impacto na sociedade em que vivemos com o que realmente vale a pena?